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O inconsciente na filosofia de Erich Fromm

Fromm se vê profundamente ligado a pensadores como o filósofo judaico Maimônides, como a Cohen e Cassirer, Aristóteles, Espinoza e Marx, mais tarde também a Tomás de Aquino.

Fromm haure do pensamento destes, mas chama a atenção que ele cita principalmente aqueles escritos onde articulam o ser humano como atuante.

As éticas das virtudes de Aristóteles, Tomás e Espinoza, além do Marx dos Manuscritos Econômico-filosóficos são onipresentes no pensamento de Fromm, não a filosofia como uma abstração do ser humano concreto.

O interesse norteador da filosofia como ciência do homem de Fromm é sempre o ser humano concreto, não o pensar ou a consciência enquanto tal, ou a questão sobre as condições da possibilidade do pensar ou da consciência.

Do surgimento da psicanálise, que não investiga o pensamento ou a consciência, mas o inconsciente em sua função de ser condição da possibilidade de pensar, resulta para o filosofar de Fromm, um interesse norteador que não é mais puramente filosófico.

Não que ele quisesse reduzir a filosofia à psicanálise. Não se trata de diminuir o valor próprio da filosofia, mas esta é refletida em relação com outros fatores.

O que pensa um homem, e de que maneira, o que significa razão para ele, e o grau de abstração que ele escolhe, se ele busca sua identidade filosófica no niilismo ou na metafísica – ele não filosofa sem ser direcionado, de uma maneira ou outra, pelo inconsciente.

Fromm gostava de ilustrar até que ponto o inconsciente pode humilhar o filósofo e seu magnífico pensamento com observações sobre seu mestre Rickert.

Este tinha uma aparência imponente e uma grande retórica filosófica. Mas Rickert, esse mestre do pensamento, sofreu de agorafobia, que o obrigou a ser levado numa cadeirinha entre sua casa e a universidade.

A discrepância, aqui visível, entre espírito e psique, simboliza que não existe nenhuma imunidade psíquica do filósofo e do seu filosofar.

Fromm critica cada filosofar abstrato que se imagina imune, principalmente quando argumenta como que existisse um ser humano abstrato ou uma abstrata natureza do ser humano.

Apesar de falar constantemente sobre a “natureza do ser humano”, e sendo por causa disso acusado de naturalismo e idealismo, a questão sobre a “natureza humana” nunca aparece como se referisse à essência humana, mas sobre a conditio humana concreta.

A insistência de Fromm no conhecimento da conditio humana não significa que ele se restringisse às ciências de maneira isolada. Menos ainda gostou do pensamento positivista ou do conceito behaviorista para as ciências humanas. Quando ele define “normas e valores objetivos”, ele não pensa segundo a concepção behaviorista ou sociológica em normas de comportamento, nem em valores segundo uma ética de valores ou ontologia de valores.

Podemos nos aproximar da sua compreensão de valores e normas com seu conceito das atitudes (conscientes e inconscientes), como são descritas nas antigas éticas de virtudes.

O aspecto subjetivo pertence essencialmente à concreta conditio humana. Portanto, uma ética filosófica tem de respeitar as condições das possibilidades da ética no ser humano concreto.

O pensamento da modernidade é marcado por três descobertas fundamentais, relevantes para a questão da conditio humana: a descoberta do condicionamento biológico do ser humano por Darwin, do condicionamento socioeconômico por Marx, e do condicionamento pelo inconsciente por Freud.

A leitura filosófica destas descobertas levou a diversas tentativas de integração em filosofias antropológicas, em “ciências sociais interdisciplinares”, tentativas sistêmicas e cibernéticas da coordenação dos saberes e igualmente a um “refilosofar”, partindo dos resultados de cada ciência separada.

Fromm tenta integrar os diversos aspectos da conditio humana por sua “teoria combinatória”. Sua ideia mais fértil era de aceitar o inconsciente de cada um como marcado pela condição social, que pode ser investigado como caráter social e tem a função de substituir a segurança do instinto animal.

Ele escolheu este conceito “sócio biológico” que reflete a situação original de cada um no seu condicionamento biológico, social e psíquico e reúne os resultados das pesquisas de Darwin, Marx e Freud numa caracterologia sócio psicológica.

Fonte: Revista Espaço Acadêmico N110 Julho de 2010

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