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Crônicas russas (4)

A cada momento, uma surpresa.

Os meus planos relativos à permanência na Rússia não eram muito precisos. Tinha um visto de duração de 90 dias e dentro deste período podia fazer o que bem entendesse. Ou melhor, fazer quase tudo, porque o itinerário estava marcado no meu passaporte de acordo com o que estava escrito no convite recebido dos amigos russos. O que significava que deveria viajar no eixo: Sankt Petersburgo-Novgorod-Moscou.

Pensei em ficar em Novgorod, no máximo, uns dez dias, mas o destino decidiu diferente e permaneci lá mais de um mês! Graças a isso tive possibilidade de viver no meio do povo russo porque depois de permanecer por uma semana na casa dos amigos aluguei um apartamento num bairro tipicamente residencial de Novgorod.

Para a minha surpresa não foi difícil achar um apartamento mobiliado em Novgorad e isso dependia somente da quantia de dinheiro que a pessoa tinha para gastar. A única coisa que me surpreendeu na hora de pagar o aluguel, foi, que enquanto na Itála qualquer imobiliária cobrava 20% de comissão sobre o valor do aluguel, na Rússia cobravam entre 50 a 100%! Bem, isso é a Rússia, como repetiam os amigos russos, conhecidos e desconhecidos, sempre quando eu ficava sem compreender certos fatos. Além da comissão tinha ainda outra coisa que me surpreendia; o próprio valor do aluguel. Não compreendia como podia ser tão alto, sendo que o salário médio dos russos ser bem aquém da possibilidade de pagá-lo.  

O apartamento não diferencia em nada de um apartamento de classe média brasileira. Eu, pessoalmente fiquei muito feliz porque o apartamento possuía um imenso aparelho de TV ligado a cabo o que proporcionou à minha esposa a possibilidade de relembrar a língua russa, que ela estudou por vários anos na juventude.

Além dos programas russos, podíamos assistir aos programas da Ucrânia e da Bielorrússia. Todos transmitidos nas línguas nacionais, que são muito perecidas com o russo sendo da mesma família linguística de línguas eslavas.

Logo, depois de uns 2-3 dias, escolhi meus programas favoritos. Por exemplo, na TV Bielorrussa assistia aos filmes do período soviético – comédias e especialmente filmes sobre a Segunda Guerra Mundial; estes últimos belíssimos, humanos, sempre passando uma mensagem contra a guerra. Vendo filmes deste tipo pode se entender o imensurável sofrimento e sacrifício do povo soviético durante a guerra. Pena que só raramente esses filmes são mostrados em outros países!

Além dos filmes, gostava de assistir a todo tipo de noticiário na TV Russa. Foi assim, que tive a possibilidade de seguir ao vivo a última visita do Presidente Putin aos Estados Unidos e presenciar um fato interessante que aconteceu durante a entrevista coletiva que encerrava a visita.

Um grupo de jornalistas russos fez algumas perguntas que colocaram o presidente americano em certo embaraço. Não querendo respondê-las, Bush começou fazer a meia volta, puxando Putin consigo, com uma obvia intenção de “escafunder-se”. Nesse momento o Russo com a sua mão de ferro de lutador de judô, segurou firme o braço do Americano, impedindo-o “da fuga” e obrigando a ouvir todas as respostas, que eram dadas por ele aos jornalistas. Somente depois disso Putin relaxou “abraço” e os dois afastaram se numa atitude aparentemente amigável.  

Foi também na TV Russa que vi uma curta reportagem mostrando a alegria do Putin e dos generais reunidos num centro de lançamentos de foguetes depois do sucesso absoluto do teste do foguete militar mais moderno do mundo, que pode interceptar e aniquilar qualquer um tipo de foguete inimigo que for lançado sobre o território russo.   

Em fim, foi o noticiário russo que informou que estava sendo criado um pacto de cooperação militar de nome “Pacto de Xangai” com participação da Rússia, China, e mais cinco estados asiáticos, que no passado faziam parte de URSS. Mais tarde, em agosto tive a possibilidade de assistir pela TV às manobras militares do recém-criado pacto, que tiveram lugar nos Urais.

Além dos filmes e noticiários gostei muito de assistir a programas esportivos. A programação era muito vasta não limitando se aos jogos de futebol ou eventos exclusivamente nacionais.

Devo ainda mencionar os famosos desenhos ainda da época da União Soviética que também me encantaram! Não só pela técnica, mas também pelo senso de humor formidável e pelas mensagens humanas, que sempre transmitiam não somente para crianças, mas também para adultos. E isso sem recorrer às cenas de violência! 

Depois de ver a TV por vários dias cheguei a uma surpreendente conclusão, que a TV russa e a mais democrática do mundo! Sim, porque durante toda a minha viagem (e já visitei uns 80 países) não vi em nenhum outro país uma situação parecida com a da Rússia onde é permitida a transmissão de vários canais estrangeiros, como por exemplo “History”, “People”, “National Geografic”, que apresentam reportagens deturpando o passado da Rússia, ou falando de forma agressiva e mentirosa sobre o presente.

E já que estou falando sobre a mídia para encerrar essa crônica vou descrever mais uma “curiosidade”.No tempo da URSS a mais famosa companhia cinematográfica estatal chamava se “MOSfilm”. Ela produziu milhares de filmes de longa metragem, muitos deles famosos no mundo inteiro, desenhos e filmes animados. Depois do fim da URSS alguns espertalhões aproveitaram se da bagunça que reinava no país e contrabandearam milhares de cópias para USA e lá foram fabricadas milhões de fitas piratas, que foram comercializadas ilegalmente em todo o território americano.

Durante os últimos anos o governo russo lutou na justiça americana para dar um basta a este comercio infame, ou o que deveríamos chamar de roubo. Somente neste ano (2007) o governo russo conseguiu uma pequena vitória: uma firma americana foi condenada a pagar à “MOSfilm uma indenização de 5 milhões de dólares a titulo de direitos autorais. O governo russo já avisou: isso foi só o principio!

Depois de tomar conhecimento destes fatos fiquei indignado com a hipocrisia dos representantes de certos setores americanos (e não só americanos) que se pavoneiam, quando berram aos quatro ventos: vamos lutar contra pirataria! Por que não acabam primeiro com a sujeira no próprio país?

 

 

 

 

 

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