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Crônicas russas (6)

Contos, lendas, crenças.

O rio que atravessa Novgorod chama se o rio Volkhov. É um rio largo que passa lento entre as duas margens e com suas águas azuis escuras divide a cidade em duas partes quase iguais.  Uma, podemos assim chamar, de comercial onde ficava o antigo mercado e outra, governamental, onde fica o Kremlin.

Com o rio Volchov são relacionadas várias lendas, uma delas, muito conhecida, sobre Sadko, personagem meio lendária, meio verídica.

O Sadko histórico foi um famoso comerciante de Novgorod e deu origem a Sadko da opera de Rimski-Korsakov, “Sadko”. Disse a lenda que Sadko fez uma aposta com os ricos mercantes de Novgorod que ia pescar um peixe dourado no Lago Ilmen. Conseguiu esse intento com ajuda do Rei dos Mares e a sua filha, Volkhova – que se apaixonou pelo belo menestrel. Depois de ganhar a aposta, o Sadko se tornou uma pessoa importante na cidade. Infelizmente não pode cumprir a promessa dada ao Rei dos Mares de casar com a bela filha dele, porque já era casado! Por isso o Rei em sua ira, transformou a Princesa em Rio Volkhov. Desde então o rio traz muitos benefícios para a cidade. Entre outros, a conexão com o Mar Báltico; rio Volkhov deságua no lago Ladoga, perto de S. Petersburgdo. É o único rio, que tem a sua fonte no Lago Ilmen! Isso é um fato interessante porque 50 rios deságuam nele!  

Lago Ilmen é um lago surpreendentemente pouco profundo, no máximo 2-2,5 metros. Por isso, nos dias de ventos fortes, se torna muito perigoso porque as ondas que se formam nele são de um tamanho considerável.

Todos os anos o Lago Ilmen é palco para uma antiga festa pagã de origem eslava, que é celebrada no princípio de julho. Essa festa tem na Rússia o nome “kupalie”. Festas parecidas, com nomes diversos, são celebradas em outros países de origem eslava e são relacionadas com o solstício de verão.

Durante as celebrações se dança muito, come muito e bebe um pouco! São acesas grandes fogueiras e depois da meia noite as pessoas participam dos banhos rituais no lago quais, segundo uma crença antiga, proporcionam felicidade e saúde durante todo o ano seguinte. As moças e moços casadoiros procuram noivos segundo os costumes antigos.

A secretária de turismo da Região de Novrorod, gentilmente nos convidou para participar da festa.

Saímos de Novgorod em ônibus lotados de jovens da cidade e de turistas. Depois de uns 60 km percorridos fomos “despejados” nos campos, perto das praias, que cercam o lago. Eram 21.00 horas, mas sol ainda estava muito alto no horizonte. Logo começaram brincadeiras nas quais participavam tanto os turistas como os jovens da cidade. Rodas gigantes de pessoas em torno das fogueiras, pulos, quase acrobáticos, por cima do fogo, danças e cantos rituais em volta do campo. A Natureza nos proporcionou um espetáculo extra, antes de escurecer, no horizonte apareceu um duplo arco íris, imenso, cujas extremidades inferiores banhavam se nas águas do Ilmen.

Um pouco antes de meia noite foi acesa a fogueira principal e logo depois os mais corajosos foram se banhar no lago. As moças vestidas de saias e coletes vermelhos e os moços com camisas longas, também de cor vermelha. Cada um deles segurando uma vela acesa, entrava nas águas escuras e prosseguia em frente até a água chegar aos ombros, depois mergulhava e emergia na superfície, sempre com a vela acesa na mão!

Infelizmente, nos tempos atuais, o misterioso banho não teve o efeito desejado porque a metade dos participantes ficou constipada no dia seguinte!

Fechamos a nossa estada em Novgorod com um momento cheio de significado; fomos visitar a aldeia, Zakharino, onde fica o povoado Semyonovo (uns 40 km de Novgorad) onde nasceu o grande compositor russo, Siergiei Rachmaninov e onde ficava a herdade da família dele. O lugar é deslumbrante – campos verdejantes cobertos de flores silvestres, pequenas colinas e o rio Volkhov  passando no meio delas.

Da propriedade da família não sobrou nada, só um pequeno cemitério campestre e uma lápide de granito marcando o lugar exato onde ficava a herdade.

Mas, o mais importante era sentir a atmosfera do lugar! Sentir o cheiro das flores, da grama de um verde suculento, sentir a brisa suave do vento e imaginar Rachmaninov, sentado à beira do rio e sonhando com os sons das futuras sinfonias!

Não foi fácil alcançar Semyonovo! De Zakharino eram uns 30 km de estrada de terra batida que depois de chuvas torrenciais estavam cheias de buracos e poços profundos de água. Se não fosse o “Lada” de nossos amigos que, apesar de ser bastante idoso, enfrentava qualquer desafio, não teríamos conseguido chegar ao destino! Era um cruzamento de carro anfíbio, tanque e de carro mesmo e servia maravilhosamente bem nas diversas condições das estradas russas.

Antes de voltarmos à Novgorod fomos convidados para almoçar na casa de Vitor e Larissa, amigos dos nossos amigos. O almoço foi servido na mesa lindamente arranjada, com pratos de porcelana pintados à mão, guardanapos bordados e com comida deliciosa: frutas, legumes e verduras colhidos de manhã no jardim de família, sanduíches de ovo cozido, pepino de salmoura e arenque salgado. Geléias de várias frutas, que tomamos com o chá e no final, para melhorar a digestão, cálice de vodka de fabricação caseira.

Conversamos muito e cantamos muito com o acompanhamento de acordeão.

Ficamos sabendo de problemas que afligem o campo russo atualmente. Depois da falência das cooperativas russas muitas pessoas ficaram desempregadas.A terra ficou sem ser cultivada. Ninguém sabia quem era na verdade o legitimo proprietário dela! As pessoas não queriam investir na agricultura sem saber se eram ou não eram donos dos campos nos quais trabalhavam. Essa situação criou outro problema. Nos mercados não se encontrava mais os produtos agrícolas russos, tudo era importado, por isso muito caro!

Só no ano passado (2006) o governo começou a mandar para a “Duma”, o parlamento russo, os projetos das leis regulamentando a situação do campo.

A estada em Novgorad chegou ao fim. Estávamos prontos para a segunda etapa – Sankt Petersburgo! 

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