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Lisboa - Seixal S.Petersbugro, Rússia

Crônicas russas (7)

Novgorod, a despedida.

A nossa estada de mais de um mês em Novgorod passou como um relâmpago. Foram tantas novidades, tantas experiências novas que não tínhamos tempo para tomar consciência da passagem do tempo. Estava chegando a hora de despedirmos da cidade e dos amigos. No penúltimo dia tivemos uma surpresa muito agradável. Vieram nos visitar duas senhoras, a mãe e a filha, donas de um pequeno e agradável “café” localizado no centro de Novgorod. Trouxeram um delicioso bolo de sorvete, os sucos de frutas russas e as frutas frescas, colhidas no jardim delas. Tínhamos conhecido uma delas, a filha, algumas semanas antes quando pedimos informação sobre uma rua. A senhora era tão prestativa e simpática, além disso, falava inglês, que sempre que passávamos pela porta do “café” entravamos para beber o chá feito no “samovar” (uma engenhoca típica russa que serve para preparar chás saborosos) ou tomar um sorvete. Quando tomamos o sorvete pela primeira vez aconteceu uma coisa engraçada. O sorvete estava muito gostoso, mas sem açúcar! Já estávamos acostumados com os bolos e os doces russos que são menos açucarados do que os brasileiros, mas o sorvete não tinha açúcar algum! Resolvemos o problema com rapidez e despejamos nas taças todo o conteúdo do açucareiro. Quando as atendentes viram isso, ficaram imóveis, em estado de “choque”. Só mais tarde viemos, a saber, que no café, tudo era servido de uma maneira “dietética” porque o lugar era freqüentado, na sua maioria, pelas jovens estudantes e nenhuma delas queria virar uma baleia. E parece que as jovens russas têm uma vontade de ferro relativo a isso porque em nenhum outro lugar do mundo vi tantas jovens esquias e de corpo bem feito.

A nossa mudança para a cidade de São Petersburgo estava sendo planejada com antecedência. Umas duas semanas antes do fim do aluguel do apartamento em Novgorod, tínhamos ido para a cidade de ônibus e numa imobiliária reservamos um apartamento. Ainda não sabíamos da localização dele, mas pelo preço que pagamos só poderia ser no centro histórico.

Eu já conhecia a S. Petersburgo (na época, Leningrado) da minha viagem em 1969, mas para a Renata esse foi o primeiro encontro com esta bela cidade. Esse um dia que passamos em S. Petersburgo, deu-lhe alguma ideia sobre a cidade e apesar do tempo estar chuvoso, ela ficou encantada. Queria parar em todos os lugares bonitos esquecendo, que em breve, estaríamos de volta. Nesse dia fizemos uma verdadeira maratona porque não queríamos andar nem de metrô nem de ônibus e só a avenida principal de S. Petersburgo, a Nevski Prospect , tem 4,5 km de comprimento e nós a percorremos no sentido de ida e volta! A Renata repetia os nomes conhecidos até então dos livros e filmes: Ermitage, Catedral Kazanska, Catedral S. Isaac, Teatro Alexandrovski, Puchkin, Jesienin, Catarina Grande, Pedro Grande, Lênin, Aurora, etc…, e já não via a hora de retornar à cidade para uma estada longa. As pessoas nas ruas eram muito apressadas e logo se viu que eram os Russos. Aquelas que andavam devagar, com um olhar cheio de admiração e encantamento, eram os turistas estrangeiros.

A Avenida era abarrotada de lojas de grifes famosas, de restaurantes e de bares de primeira categoria. Mas para nós nada disso tinha interesse porque no momento tínhamos os olhos abertos à procura de imobiliárias. Encontramos algumas, mas só alugavam apartamentos para, no mínimo, seis meses. Quando já perdíamos a esperança e já estávamos a caminho de volta para a rodoviária, vimos bem na nossa frente, do outro lado da Praça Vosstania um imenso letreiro com nome da imobiliária, “Sojuz” (União). Lá, fomos muito bem recebidos, mas, surgiu um grande problema, os funcionários só falavam alemão! A Renata foi então forçada a sair da toca, e “estrear” o seu russo. Na verdade, apesar de em Novgorad  nos comunicamos com a Nina em inglês, quando tivemos dificuldades de nos entender, a Renata recorria, com timidez, ao russo. Ela estudou essa língua por quase dez anos, mas passaram se muitos anos desde que ela tinha falado a pela última vez. Com a Nina, a Renata não tinha vergonha de falar errado, mas com os estranhos… . Apesar dos receios tudo correu bem, ela foi entendida, e entendeu o que os outros falavam. Saímos felizes como uns passarinhos, com a reserva do apartamento por um mês. Antes de despedirmos fiz uma pergunta à funcionária da imobiliária: como os russos conseguem pagar os alugueis tão altos? Ela explicou que na Rússia existiam os alugueis para os Russos, infinitamente mais baixos e os alugueis chamados de “turísticos”, esses sim, caros, no nível da média européia. Os apartamentos desse tipo sempre são mobiliados, totalmente equipados e localizados nos bairros nobres.

Da praça Vosstania até rodoviária são uns 2 km, nada perto para alguém que, já andou uns 15 km num dia. Mesmo assim decidimos voltar a pé. Mas desta vez nem a chuva nos incomodava porque sonhávamos sobre a volta, em breve para São Petersburgo.

No dia 10 de julho de 2007 partimos de Novgorod. Os nossos amigos nos aconselharam a comprar as passagens de trem alguns dias antes da viagem porque no período de férias poderíamos não conseguir bilhetes para a data marcada. A estação de trem em Novgorod estava sendo reformada e por causa disso o atendimento não foi dos melhores, mesmo assim, depois de esperar mais de meia hora na fila consegui comprar os bilhetes, sem ajuda da Renata como tradutora.

No dia da viagem, os nossos amigos, Nina e Leonid, nos levaram no carro deles até a estação e na hora da despedida a Nina e a Renata derramaram rios de lágrimas.  

 

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